terça-feira, abril 01, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Antes e depois...
A viagem com destino certo, mas sem grandes planejamentos, era um desejo compartilhado pelo bonito e por mim.
Pegar o carro e ir.
Parar onde desse vontade, fotografar e curtir a vista.
Pernoitar onde fosse confortável, mas mais em conta.
Sem pressa.
Sair da rotina de prazos e de cronogramas.
Esquecer do corre-corre do nosso dia-a-dia.
Curtir apenas.
Aproveitar e relaxar.
E foi assim ao longo do primeiro, segundo e parte do terceiro dia.
A Rio-Santos e todas as suas belas cidades costeiras foi o nosso primeiro caminho.
Em Paraty e Ilha Bela paramos para almoçar e comprar coisinhas, em Angra para fotografar apenas. Em Santos conhecemos a Vila Belmiro, pro delírio do bonito, rs.
Em Caraguá e Peruíbe pernoitamos.
No caminho belas montanhas, praias maravilhosas, parte do que ainda resta da Mata Atlântica, cidades pequenas, cidades grandes.
O terceiro pernoite, no dia 8/1, seria em Curitiba, onde eu conheceria parte da família dele.
De lá seguiríamos, devagar e sempre, rumo à Floripa, nosso destino final.
A BR 116, mais conhecida como Regis Bittencourt, passou a ser o nosso caminho. Infelizmente, obrigatório.
E lá fomos interrompidos por uma mistura que não se mistura, mas que quando se junta boa coisa não faz: água e óleo.
Em frações de segundo o mundo virou de pernas para o ar, literalmente.
Sensação muito estranha. Um misto de espanto, impotência, medo, alívio, incompreensão, dúvida, e o que mais não consigo descrever. Tudo junto.
O carro, destruído.
O teto virou chão, o chão virou teto.
Nosso sustento vinha do cinto de segurança.
Depois de soltos, a janela virou porta.
O acelerador, portanto, teimava ainda em continuar a me prender...
O chão de grama ganhou brilho graças aos muitos caquinhos de vidro.
Nossas coisas espalhadas ao redor, banhadas em combustível.
Já de pé, olhávamos pra nós mesmos, em busca de algo errado.
Encontramos alguns cortes, sangue, grama, terra, vidro, mas corpos inteiros.
Muitas pessoas ao redor, solícitas, ajudando ou querendo ajudar, surgiram nem sei de onde.
Nada foi usurpado, todos os nossos bens preservados.
Fomos atendidos, e continuamos a "viagem" numa ambulância, imobilizados, ainda confusos com tudo o que acontecia.
Hoje entendo quando alguém se refere à alguma situação vivida como se fosse um sonho, como se não fosse real.
Por uma vez fechei os meus olhos e tive a certeza que acordaria naquele hotelzinho simples na beira da praia de Peruíbe...
Ambulância, macas, colares cervicais, tábuas de imobilização.
Pronto-Socorro, Raio X, perguntas, verificação de pertences, pulseiras de identificação nos braços.
Tudo isso era novidade pro bonito, mas acho que muito mais pra mim.
Não prever o que seria feito conosco era impossível de impedir.
Sempre estive do outro lado. Do lado de quem cuida.
Não consigo descrever o que senti.
Nenhum osso quebrado.
Nenhum trauma grave.
Impossível de acreditar, principalmente depois de ver o carro, no dia seguinte, no pátio da PRF, após a alta do hospital.
Então eu me lembrei de um texto da Palavra que diz:
" O ANJO DO SENHOR ACAMPA-SE AO REDOR DOS QUE O TEMEM E OS LIVRA".
(Salmos 34:7)
terça-feira, janeiro 01, 2008
terça-feira, dezembro 11, 2007
Fidelidade, sempre.
sábado, outubro 20, 2007
Quase 6 kg de papel...
... e muitas, muitas palavras escritas.
Muitas eram promessas, outras elogios.
Algumas palavras de repreensão, outras de concordância.
Várias eram referentes a planos para o futuro, muitas outras para relembrar o passado.
Umas eram palavras de outros, encaminhadas com a finalidade de dizer algo específico.
Muitas poesias, outras letras de canções, ditas para celebrar o sentimento que existia naquele momento.
Todas ditas por uma única pessoa.
Durante um bom tempo, na verdade alguns anos, fui como que prisioneira dessas palavras.
E as guardava num canto em um armário, em pastas e saquinhos plásticos.
Em vários momentos olhei para elas, e me perguntei: por que vocês ainda estão aqui?
Em todas as vezes não soube responder.
Exceto num dia de domingo, mais precisamente no dia 02/09 desse ano.
Acordei com uma daquelas sensações estranhas de "há algo que não sei o que é mas que precisa ser feito" que vêm sobre mim de vez em quando...
E quando isso acontece, um coisa eu sei: preciso me "libertar" de alguma coisa.
Mas do quê?
Levantei quase com o dia se transformando em tarde, com toda a preguiça e vagareza peculiares às horas estendidas na cama.
Fiz o mesmo "ritual" de sempre do despertar: fui ao banheiro, dei os beijos e afagadas nos caninos, fiz o café, tomei o café na frente da televisão, liguei o computador.
Ao meu lado, "o" armário. Dentro de mim, "aquela" sensação.
Olhei pro armário, abri uma de suas portas, e lá estava o motivo daquela estranha sensação: as palavras.
Todas arrumadinhas naquele canto.
Naquele momento não tive mais dúvidas.
Num capricho, levei-as até a balança do banheiro: quase 6kg!
Mas não me surpeendi...
Dentro de mim algo queimava...
Palavras são como fogo (dependendo de como são ditas), já diziam muitos poetas.
E foi nesse momento que eu soube o que tinha que fazer.
Nenhuma dúvida, nenhum sentimento de perda, nenhuma "sensação estranha" mais...
Só a certeza de que só o fogo poderia ser capaz de colocar um ponto final naquela fase da minha vida, materializada ali por aqueles quase 6kg de papel.
Retirei as folhas dos seus saquinhos e pastas.




Mas logo se intensificou.

Não preciso nem dizer, mas é claro que tudo se transformou em um monte de cinzas.
Mas a imagem das cinzas não precisa ficar registrada.
Percebi que o que vivi foi importante.
Teve significado.
Me fez crescer.
Hoje faz parte de mim, da minha história.
O fogo "limpou e purificou" todo resquício de qualquer sentimento ruim.
As cinzas foram levadas pelo vento.
As lembranças boas e o aprendizado ficam.
Pra sempre, enquanto eu viver.
Muitas eram promessas, outras elogios.
Algumas palavras de repreensão, outras de concordância.
Várias eram referentes a planos para o futuro, muitas outras para relembrar o passado.
Umas eram palavras de outros, encaminhadas com a finalidade de dizer algo específico.
Muitas poesias, outras letras de canções, ditas para celebrar o sentimento que existia naquele momento.
Todas ditas por uma única pessoa.
Durante um bom tempo, na verdade alguns anos, fui como que prisioneira dessas palavras.
E as guardava num canto em um armário, em pastas e saquinhos plásticos.
Em vários momentos olhei para elas, e me perguntei: por que vocês ainda estão aqui?
Em todas as vezes não soube responder.
Exceto num dia de domingo, mais precisamente no dia 02/09 desse ano.
Acordei com uma daquelas sensações estranhas de "há algo que não sei o que é mas que precisa ser feito" que vêm sobre mim de vez em quando...
E quando isso acontece, um coisa eu sei: preciso me "libertar" de alguma coisa.
Mas do quê?
Levantei quase com o dia se transformando em tarde, com toda a preguiça e vagareza peculiares às horas estendidas na cama.
Fiz o mesmo "ritual" de sempre do despertar: fui ao banheiro, dei os beijos e afagadas nos caninos, fiz o café, tomei o café na frente da televisão, liguei o computador.
Ao meu lado, "o" armário. Dentro de mim, "aquela" sensação.
Olhei pro armário, abri uma de suas portas, e lá estava o motivo daquela estranha sensação: as palavras.
Todas arrumadinhas naquele canto.
Naquele momento não tive mais dúvidas.
Num capricho, levei-as até a balança do banheiro: quase 6kg!
Mas não me surpeendi...
Dentro de mim algo queimava...
Palavras são como fogo (dependendo de como são ditas), já diziam muitos poetas.
E foi nesse momento que eu soube o que tinha que fazer.
Nenhuma dúvida, nenhum sentimento de perda, nenhuma "sensação estranha" mais...
Só a certeza de que só o fogo poderia ser capaz de colocar um ponto final naquela fase da minha vida, materializada ali por aqueles quase 6kg de papel.
Retirei as folhas dos seus saquinhos e pastas.

Rasguei todas elas em quatro partes.

Improvisei uma fornalha, e as dispus dentro dela.

Lentamente o fogo iniciou seu processo.

Mas logo se intensificou.

Não preciso nem dizer, mas é claro que tudo se transformou em um monte de cinzas.
Mas a imagem das cinzas não precisa ficar registrada.
Percebi que o que vivi foi importante.
Teve significado.
Me fez crescer.
Hoje faz parte de mim, da minha história.
O fogo "limpou e purificou" todo resquício de qualquer sentimento ruim.
As cinzas foram levadas pelo vento.
As lembranças boas e o aprendizado ficam.
Pra sempre, enquanto eu viver.
segunda-feira, setembro 03, 2007
Honra, a quem merece honra.
No dia 31 de agosto de 2007 o mundo ficou menos divertido.
Partiu para os braços do Pai minha querida Tia Judith.
Serva de Deus, em primeiro lugar, e mãe de uma das pessoas mais presentes em minha vida, especialmente na infância, a minha madrinha.
(Sim, tenho uma madrinha, de batismo mesmo, aquele da Igreja Católica. Meu pai ainda não havia se convertido ao protestantismo quando nasci.)
Mas Tia Judith era dona de um senso de humor muito peculiar.
Não havia "tempo ruim" prá ela.
Exceto agora, bem no finalzinho de sua vida, já com a lucidez prejudicada no alto de seus 89 anos, e pela limitação a uma cadeira de rodas (culpa de um tombo onde fraturou o fêmur D, se não me engano, que lhe rendeu uma cirurgia complicada e de recuperação dolorosa), não me lembro de ouvir reclamação dela por coisa alguma.
Tudo era motivo de piada. Nada, nada mesmo lhe passava despercebido.
Tudo era motivo prá dar uma boa gargalhada. E QUE gargalhada! Era impossível não rir junto.
Muitas vezes ela chorava de rir e nem sabia o porquê.
Se tinha dinheiro, tava bom.
Se não tinha, tava bom do mesmo jeito, pois dizia: "Deus proverá, minha filha!".
Se acordava sem "aquela dor nas juntas", tudo bem. Se acordava, dizia mais ou menos assim:
"É, ficar velha é uma M..., minha filha!". E logo vinha a larga gargalhada.
Topava qualquer parada, qualquer passeio, qualquer aventura.
Enfrentou a decepção de ver a filha (que com muito sacrifício dela se formou na faculdade) abandonar um excelente emprego e futuro promissor em uma grande empresa, para "casar" com uma pessoa que ela "sabia que a faria sofrer". E como fez...
Mas mesmo assim a apoiou e suportou em todos os momentos.
E não havia, no mundo inteirinho, filha mais linda, talentosa e maravilhosa como a dela!!!
Enfrentou com intrepidez a doença e morte do marido tão querido, que dela "foi levado tão cedo". Com a ida dele, teve que vender o Fusquinha Azul, parceiro de tantas "aventuras" com o Zezinho, seu companheiro por quase 40 anos. E como foi duro prá mim ver aquela garagem vazia, sem o fusquinha que eu sonhava dirigir quando fizesse 18 anos...
(Acho que é por isso que sou tão apaixonada, até hoje, pelos fuscas.)
Mas ela disse: "Ele vai alegrar a vida de outra falmília!" E tal qual a um filho, disse à ele para que se "comportasse bem, não quebrasse nunca, e não bebesse muito óleo!". Rs.
E até no dia do enterro do Tio Zezinho ela fez graça.
Como ele era presbiteriano, ela disse: "Ai meu Deus, será que ele foi pro céu?"
Afinal de contas, os batistas sempre implicaram com os "primos" presbiterianos por causa da diferente doutrina. E COMO ela era batista! Rs.
Amava a Igreja Batista do Tauá, na Ilha do Governador/RJ, que ajudou a fundar e construir, literalmente.
Me lembro bem da dedicação ao Coral Gláucia Leite, que tinha uma beca pesada e quente, na cor vinho. E a beca também foi motivo de piada muitas vezes, claro!
Ela tinha uma voz gostosa e melodiosa, assim como minha avó e todas as outras irmãs, e gostava de ensinar aos sobrinhos-netos suas "versões" para muitas músicas do cancioneiro da música popular brasileira.
E como eram divertidas essas versões! Lembro de apenas uma, que jamais esqueci.
A letra dela está no final de todas essas palavras. Minha avó, mais recatada e rígida, brigou muito com ela por causa dessas músicas "horrorosas"...
Se ela ligava prás "críticas" às suas obras? Imagina!
Aí é que ela cantava muitas e muitas vezes mais! Prá todo mundo ouvir!
Mas não se assuste!
Como eu disse, ela era uma pessoa que tinha um senso de humor MUITO peculiar!!! Rs.
Com certeza eu "herdei" muitas coisas dela. Não sei se pelo DNA, mas pela convivência com certeza!
Aprendi muitas das minhas caretas com ela.
Foi ela quem me ensinou todas as piadas que aprendi na infância.
Muitas de minhas travessuras ela acobertou (e tinha que ter um dom especial para isso!).
Aprendi que para o café ficar bom, é preciso por pelo menos 4 colheres de pó no coador.
Ela colocava sempre 2, e o café ficava mais para "chafé"!
Aprendi que se a porta do forno for aberta mais de uma vez enquanto o bolo está assando, há quase que 100% de chance dele "solar".
Mas ainda assim, aqueles chafés com bolos solados eram uma delícia! Que saudade...
Não pude ir ao sepultamento, por causa dos compromissos profissionais, e pelos 500 km de distância.
Mas não fiquei triste com isso. Engraçado...
Percebi que a alegria que ela deixou plantada no meu coração foi consolo suficiente.
Não tinha derramado sequer uma lágrima, até agora, enquanto escrevo essas tantas linhas.
Sei que descansou daquele corpo frágil e limitado de cerca de 38 kg.
Sei aonde ela está.
Cantando no coro celestial, com certeza!
E nos intervalos dos cânticos, deve estar contando alguma piada aos anjos e santos, deixando o céu mais divertido!
A música:
Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambucano (1914)
(2ª parte da canção)
Não há, ó gente, oh! Não, luar como esse do sertão Não há, ó gente, oh! Não, luar como esse do sertão
Quando vermelha no sertão desponta a lua Dentro da alma flutua, também rubra nasce a dor E a lua sobe e o sangue muda em claridade E a nossa dor muda em saudade Branca assim da mesma cor
A versão:
by Tia Judith, lá por meados de 1984:
Não há coisa melhor do que cagar no urinol
Não há coisa melhor do que cagar no urinol
A gente senta na beirada do penico
Parecendo gente rico com vontade de defecar
Estufa o peito, estufa a veia do pescoço
Caga fino e caga grosso
Caga até o cu rachar
Agora acho que vocês podem imaginar como era a mais querida de todas as minhas tias-avós, não??? Hehehehe.
Partiu para os braços do Pai minha querida Tia Judith.
Serva de Deus, em primeiro lugar, e mãe de uma das pessoas mais presentes em minha vida, especialmente na infância, a minha madrinha.
(Sim, tenho uma madrinha, de batismo mesmo, aquele da Igreja Católica. Meu pai ainda não havia se convertido ao protestantismo quando nasci.)
Mas Tia Judith era dona de um senso de humor muito peculiar.
Não havia "tempo ruim" prá ela.
Exceto agora, bem no finalzinho de sua vida, já com a lucidez prejudicada no alto de seus 89 anos, e pela limitação a uma cadeira de rodas (culpa de um tombo onde fraturou o fêmur D, se não me engano, que lhe rendeu uma cirurgia complicada e de recuperação dolorosa), não me lembro de ouvir reclamação dela por coisa alguma.
Tudo era motivo de piada. Nada, nada mesmo lhe passava despercebido.
Tudo era motivo prá dar uma boa gargalhada. E QUE gargalhada! Era impossível não rir junto.
Muitas vezes ela chorava de rir e nem sabia o porquê.
Se tinha dinheiro, tava bom.
Se não tinha, tava bom do mesmo jeito, pois dizia: "Deus proverá, minha filha!".
Se acordava sem "aquela dor nas juntas", tudo bem. Se acordava, dizia mais ou menos assim:
"É, ficar velha é uma M..., minha filha!". E logo vinha a larga gargalhada.
Topava qualquer parada, qualquer passeio, qualquer aventura.
Enfrentou a decepção de ver a filha (que com muito sacrifício dela se formou na faculdade) abandonar um excelente emprego e futuro promissor em uma grande empresa, para "casar" com uma pessoa que ela "sabia que a faria sofrer". E como fez...
Mas mesmo assim a apoiou e suportou em todos os momentos.
E não havia, no mundo inteirinho, filha mais linda, talentosa e maravilhosa como a dela!!!
Enfrentou com intrepidez a doença e morte do marido tão querido, que dela "foi levado tão cedo". Com a ida dele, teve que vender o Fusquinha Azul, parceiro de tantas "aventuras" com o Zezinho, seu companheiro por quase 40 anos. E como foi duro prá mim ver aquela garagem vazia, sem o fusquinha que eu sonhava dirigir quando fizesse 18 anos...
(Acho que é por isso que sou tão apaixonada, até hoje, pelos fuscas.)
Mas ela disse: "Ele vai alegrar a vida de outra falmília!" E tal qual a um filho, disse à ele para que se "comportasse bem, não quebrasse nunca, e não bebesse muito óleo!". Rs.
E até no dia do enterro do Tio Zezinho ela fez graça.
Como ele era presbiteriano, ela disse: "Ai meu Deus, será que ele foi pro céu?"
Afinal de contas, os batistas sempre implicaram com os "primos" presbiterianos por causa da diferente doutrina. E COMO ela era batista! Rs.
Amava a Igreja Batista do Tauá, na Ilha do Governador/RJ, que ajudou a fundar e construir, literalmente.
Me lembro bem da dedicação ao Coral Gláucia Leite, que tinha uma beca pesada e quente, na cor vinho. E a beca também foi motivo de piada muitas vezes, claro!
Ela tinha uma voz gostosa e melodiosa, assim como minha avó e todas as outras irmãs, e gostava de ensinar aos sobrinhos-netos suas "versões" para muitas músicas do cancioneiro da música popular brasileira.
E como eram divertidas essas versões! Lembro de apenas uma, que jamais esqueci.
A letra dela está no final de todas essas palavras. Minha avó, mais recatada e rígida, brigou muito com ela por causa dessas músicas "horrorosas"...
Se ela ligava prás "críticas" às suas obras? Imagina!
Aí é que ela cantava muitas e muitas vezes mais! Prá todo mundo ouvir!
Mas não se assuste!
Como eu disse, ela era uma pessoa que tinha um senso de humor MUITO peculiar!!! Rs.
Com certeza eu "herdei" muitas coisas dela. Não sei se pelo DNA, mas pela convivência com certeza!
Aprendi muitas das minhas caretas com ela.
Foi ela quem me ensinou todas as piadas que aprendi na infância.
Muitas de minhas travessuras ela acobertou (e tinha que ter um dom especial para isso!).
Aprendi que para o café ficar bom, é preciso por pelo menos 4 colheres de pó no coador.
Ela colocava sempre 2, e o café ficava mais para "chafé"!
Aprendi que se a porta do forno for aberta mais de uma vez enquanto o bolo está assando, há quase que 100% de chance dele "solar".
Mas ainda assim, aqueles chafés com bolos solados eram uma delícia! Que saudade...
Não pude ir ao sepultamento, por causa dos compromissos profissionais, e pelos 500 km de distância.
Mas não fiquei triste com isso. Engraçado...
Percebi que a alegria que ela deixou plantada no meu coração foi consolo suficiente.
Não tinha derramado sequer uma lágrima, até agora, enquanto escrevo essas tantas linhas.
Sei que descansou daquele corpo frágil e limitado de cerca de 38 kg.
Sei aonde ela está.
Cantando no coro celestial, com certeza!
E nos intervalos dos cânticos, deve estar contando alguma piada aos anjos e santos, deixando o céu mais divertido!
A música:
Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambucano (1914)
(2ª parte da canção)
Não há, ó gente, oh! Não, luar como esse do sertão Não há, ó gente, oh! Não, luar como esse do sertão
Quando vermelha no sertão desponta a lua Dentro da alma flutua, também rubra nasce a dor E a lua sobe e o sangue muda em claridade E a nossa dor muda em saudade Branca assim da mesma cor
A versão:
by Tia Judith, lá por meados de 1984:
Não há coisa melhor do que cagar no urinol
Não há coisa melhor do que cagar no urinol
A gente senta na beirada do penico
Parecendo gente rico com vontade de defecar
Estufa o peito, estufa a veia do pescoço
Caga fino e caga grosso
Caga até o cu rachar
Agora acho que vocês podem imaginar como era a mais querida de todas as minhas tias-avós, não??? Hehehehe.
terça-feira, agosto 28, 2007
Há quase 2 meses atrás, meu cunha me deu um livro, e disse mais ou menos assim: Lê tudo, porque nesse livro tem informações importantíssimas prá quem quer casar. Bom, na época eu nem pensava nisso, francamente.
Mas agradeci pelo empréstimo do livro, e no fundo fiquei feliz com as palavras dele, pois nas entrelinhas, significava que eu tinha a sua aprovação prá "entrar na família". Rs. E quem conhece o meu cunhado, sabe que essa minha satisfação tem fundamento! (Cunha, te amo!)
Olhei para o livro, o livro olhou prá mim, e ficou na estante até ontem, quando decidi finalmente começar a lê-lo. Levei-o pro Hospital, porque tinha a sensação de que teria uma noite mais tranquila.
Estava certa. Mas li somente os quatro primeiros capítulos, pois fui interrompida por uma gestante em trabalho de parto. Tudo bem, são os ossos do ofício, afinal eu estava aproveitando um raro momento de tranquilidade durante o meu plantão na madrugada de hoje.
Durante a leitura desses 4 capítulos, percebi como tenho tratado mal o meu dinheiro.
Como tenho investido errado. Impressionante como as escamas caem dos olhos depois de uma confrontação dessas.
O livro tem 12 capítulos. Isso quer dizer que li apenas 1/3 dele. E se não fosse o sono que quase me consome agora, fruto de uma noite inteira acordada, acho que "devoraria" os 8 capítulos restantes...
O nome do livro! Sim, já ia me esquecendo... 'Investimentos - Como administrar melhor o seu dinheiro', de Mauro Halfeld.
Espero aprender, para que eu não precise mais ficar "correndo atrás" do meu dinheirinho todo final de cada mês... Rs.
sexta-feira, agosto 10, 2007
E ainda tem gente que não acredita em Deus...

A auxiliar administrativa Daniela Camargo, de 26 anos, passará nesta sexta-feira por uma intervenção cirúrgica no quadril, fraturado na última terça-feira. Ela já foi operada no punho esquerdo.
"Daniela ficou presa por mais de três horas nas ferragens do próprio carro. Ela teve o veículo, um Fiat Uno prata, prensado entre um caminhão betoneira carregado de concreto e um ônibus, no semáforo das avenidas Francisco de Paula Souza e Jorge Tibiriçá, no Jardim dos Oliveiras, em Campinas, interior de São Paulo."

Por volta das 18h30, Daniela havia acabado de sair do trabalho - a emissora afiliada à rede Globo, EPTV Campinas - quando parou no sinal vermelho atrás do ônibus fretado de funcionários da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da empresa Exclusiva. Segundos depois, o caminhão da empresa Concrelongo, carregado de concreto, prensou o veículo da auxiliar administrativa contra o ônibus. Quase todo o carro ficou entre a traseira do ônibus e a dianteira do caminhão.
O procedimento acontecerá no Hospital e Maternidade Madre Theodora, onde ela já foi operada no punho esquerdo.
(Com Cosmo On Line)
O lugar onde aconteceu o acidente é mais conhecido como o "Balão da Morte".
Há tempos atrás, era o lugar recordista de acidentes em Campinas com vítimas, a maioria fatais.
Hoje, depois de investimentos em radares de velocidade e nos semáforos, além de uma reformulação das pistas, houve uma significativa redução nos acidentes nesse local.
Passo sempre por ali, e nunca presenciei um acidente de grandes proporções como este.
Mas vendo o vídeo e as fotos do acidente, é impossível não pensar que a mão de Deus estava ali, naqueles 30 cm que sobrou do carro, entre o ônibus e o caminhão, ampliando sobrenaturalmente esse espaço onde Daniela estava.
E honra seja dada aos "heróis reais" desse episódio:
ao motorista do ônibus fretado da Unicamp (cujo nome não encontrei descrito em nenhum lugar, infelizmente), que ficou com o pé no freio por 3 horas para que o ônibus não se deslocasse nem um centímetro a mais de onde estava;
aos bombeiros que retiraram Daniela daquele monte de ferro retorcido sem nenhum arranhão a mais.
Que Deus os abençoe ricamente!
terça-feira, julho 03, 2007
Coruja, eu?
Bom, desde que voltei para o plantão noturno, quando pessoas que costumavam me ver durante o dia no hospital, me encontram e dizem "nossa, você sumiu!", ou "por onde você anda?", ou até mesmo "tava de férias, menina?", eu respondo: "não, agora virei coruja!".
Digo isso porque achava, isso mesmo, ACHAVA, que ser comparada às corujinhas, aves de hábitos tipicamente noturnos, era melhor do que ser comparada àqueles mamíferos alados, os morcegos. Realmente muito feios, os morcegos.
Mas dias atrás, nos meus "navegamentos" de rotina na internet, vi essa foto daí de cima dos filhotinhos das companheiras noturnas corujas. E descobri o quanto eles são esquisitos, prá não dizer hor-ro-ro-sos! Tudo bem, eles crescem, ficam mais simpáticos quando adultos (apesar daqueles olhões que vão de um lado pro outro de um jeito meio medonho). Mas não dá prá ignorar tamanha feiúra, ainda mais na fase baby, onde a maioria absoluta dos bichos é mais bonitinha.
Sim, eu era MUITO mais bonitinha quando era criança!
E é bem verdade que não continuo fazendo jus à formosura da minha fase baby. Mas até que sou bem simpatiquinha, e acho que não mereço tamanha comparação depreciativa! Rs.
Os amantes das nossas amigas noturnas que me perdoem, mas decidi: não, não sou uma coruja!
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